Departamento Arquidiocesano de Comunicação da Arquidicoese de Mariana


 Histórico
 Organização
 Dom Luciano
 Tribunal Eclesiático
 Seminário
 Museu
 Catequese

 

Regiões
Arquidiocesanas

Saiba mais sobre a região centro!Centro
Saiba mais sobre a região leste!Leste
Saiba mais sobre a região norte! Norte
Saiba mais sobre a região oeste! Oeste
Saiba mais sobre a região sul! Sul

Mande notícias
Clique aqui. . .



ADVENTO E CONVERSÃO

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

      Ressoa no Advento a diretriz de João Batista: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo” (Mt 3,2). A existência do cristão deve ser uma conversão contínua, mas o tempo do Advento oferece oportunidade especial para uma reflexão sobre este processo de espiritualização. Consiste no reconhecimento da necessidade de uma purificação interior.
      Para o pecador é uma volta para o Criador a fim de bem receber as graças do Natal. Para o justo é um maior progresso no caminho da ascese, imergindo ainda mais no amor a Deus numa relação íntima e filial e dilatando a dileção ao próximo. Trata-se de se afastar dos ídolos propostos pelo mundo. Tal conversão só é possível à luz da fé, pois é uma resposta generosa ao chamado divino. O maior óbice à metanóia, como mudança total do próprio modo de pensar e de agir, como renovação integral de si mesmo, é a auto-suficiência humana.
      Esta é multifacetada e abre um leque de posicionamentos errôneos que impedem o progresso na rota da santidade. Os teólogos falam nos pecados capitais. Capital vem do latim caput, que significa cabeça. Os pecados capitais são os princípios de inúmeros outros vícios, ou seja, distorções morais condenadas na Bíblia, por serem contra a ordem estabelecida pelo Ser Supremo.
      Têm sua origem da tríplice concupiscência de que fala São João, a saber, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (1 Jo 2, 16). São sete: Soberba (Tg 4,6; 1 Pd 5,5): Avareza (1 Cor 6,10), Luxúria (idem), Inveja (Gl 5,19), Gula (Idem) Cólera (Idem), Preguiça (Pv 6,6). A SOBERBA é a estima exagerada de si mesmo e o não reconhecimento dos dons divinos, da dependência ontológica do Criador e o menoscabo do próximo. O contrário é a humildade que é a verdade sobre si mesmo, sobre Deus e sobre o semelhante.
      É o orgulho causador também da ambição, da presunção e da vã glória. A AVAREZA é o amor desordenado dos bens terrenos, apego exagerado ao dinheiro. Ela gera a dureza para com os pobres, o desassossego, o desprezo pelos bens eternos, as fraudes, as traições. O cúpido se esquece de que nada se leva desta vida e não sabe usufruir dos bens que o Onipotente concede a cada um. A LUXURIA é a procura desenfreada dos prazeres carnais, indo frontalmente contra o sexto e nono mandamentos da Lei de Deus.
      Partureja o endurecimento do coração, a cegueira espiritual, o egoísmo, o ciúme, o ódio a todos os valores que engrandecem o ser racional, o aborto. O epicureu entrega-se a toda espécies de atitudes animalescas e pode chegar às mais abomináveis depravações. A INVEJA é a tristeza causada pela felicidade e pelas qualidades do próximo. Daí as suspeitas injustas, a maledicência, as discórdias, as rixas, as calúnias. É uma traça que corrói o coração, só destrói a paz, ocasionando todo tipo de perturbação, nada constrói.
      A zelotipia exarcebada impossibilita qualquer relacionamento normal dentro de uma comunidade. A GULA é o amor desordenado do comer e do beber. Causa a embriaguez, as mais variadas moléstias orgânicas, o embrutecimento espiritual. O glutão não come para viver, mas vive para comer. A gulodice é o contrário da temperança, da sobriedade que inibem a voracidade, a glutoneria. A IRA é o movimento desordenado da alma pelo qual se repele com violência o que desagrada. É a fonte da vingança, das injúrias, das agressões, das mortes violentas, do destempero verbal. Nada pior do que tratar com uma pessoa iracunda, colérica que vive agastada e furiosa.
      A PREGUIÇA é o amor desordenado ao descanso e leva à omissão dos deveres. A indolência é chamada a mãe de todos os vícios pois gera a ociosidade que conduz a todo tipo de maus desejos e péssimas idéias, a perda do tempo, a inconstância, a infidelidade aos compromissos, a vida inútil e fútil. A aversão ao esforçoAversão ao trabalho; conduz à impureza da consciência, à miséria, à depressão, ao desgosto da vida, à angústia existencial.
      O mandrião é presa fácil do Maligno. Os meios para vencer os pecados capitais, numa total conversão, se acham ao alcance de todos. Podem ser assim enumerados: uma vontade sincera, firme e enérgica, que conduz a grandes triunfos; a oração constante, que é a força do cristão; a renovação diária do bom propósito de emenda, que é um recurso psicológico de alta valia; a ascese que leva à mortificação, pois quem faz tudo que pode, acaba fazendo o que não pode; a freqüência aos sacramentos, canais das graças divinas; a orientação do diretor espiritual que é mestre, juiz e médico. Advento é um tempo propício para uma revisão de vida!

                                                         * Professor no Seminário de Mariana - MG

<---- Volta a página principal ----->


Volta a página
<- Principal ->

Veja
os artigos
anteriores