EMPENHO NA EVANGELIZAÇÃO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Ecoa
através dos tempos a palavra de Jesus: “ A messe é
grande, mas os operários são poucos! (Lc 10,2. Por
força de sua participação, através
do Batismo, no múnus profético e régio de
Cristo, o batizado deve trabalhar pela difusão de seu Reino
e denunciar tudo quanto afronta a vontade de Deus, expressa no
Decálogo.
O Redentor foi claro: “Eu vim para que todos tenham a vida e a
tenham em abundância” (Jo 10,10), mas conta com o trabalho
apostólico de sacerdotes e leigos e leigas dedicados. Ele
anseia pelo empenho de todos os seus seguidores para o labor na
sua seara. Deu um exemplo de serviço pois pôde afirmar:
“Eu não vim para ser servido, mas para servir”.(Mc 10,45).
Assim, todo cristão e cristã precisa estar a serviço
do Evangelho para a redenção dos irmãos e
irmãs.
Em primeiro lugar visando atingir os batizados que se acham distantes
da prática da fé e da vida eclesial. Instalou-se
um tipo de seguidor de Jesus que não deveria existir: “Católico
não praticante”. Junto deles uma palavra oportuna os levará
à prática dos Sacramentos e à participação
nas Missas dominicais. e de preceito. Perante os que já
freqüentam os sacramentos e vivem cristamente mister se faz
sempre o bom exemplo e a ajuda nos diversos grupos de oração
e assistência familiar e social. Tudo isto como resultado
de uma fé viva, generosa e alegre.
Há precisão de um diagnóstico das reais necessidades
daqueles que devem ser atingidos pela ação evangelizadora,
dada a complexidade do ser humano e a variabilidade das circunstâncias.
Não pode haver acomodamento e cada um deve estar atento
ao que se passa com o próximo e com a Igreja em geral.
O que se esquece tantas vezes é que o aprofundamento da
mensagem de Cristo é de vital importância e o crescimento
nas virtudes teologais é imprescindível. Eis por
que cumpre assumir radicalmente a santidade de vida como fonte
e fortaleza da obra evangelizadora.
Nunca se esgota o conhecimento cada vez maior e melhor do Filho
de Deus encarnado, com o qual se tenha uma experiência íntima
e mobilizadora para que haja irradiação por toda
parte das belezas de Sua doutrina e de Sua missão. Hoje
em dia, felizmente, há uma consciência maior da vida
em comunidade, espaço propício para um apostolado
eficiente, revelando sempre a grandeza do amor do divino Ressuscitado.
Daí um renovado entusiasmo para ampliar e qualificar a
propaganda evangélica. Nunca se pode perder de vista a
valorização da dignidade da pessoa humana e do valor
da vida, a renovação contínua de métodos
evangelizadores a partir da família.
Cumpre a participação na construção
de uma sociedade justa e solidária. Jamais se deve esquecer
que a Bíblia deve solidificar a fé, a Liturgia não
apenas fortifica os laços comunitários, mas leva
ao verdadeiro louvor à Trindade Santa e a Caridade é
essência mesma do Evangelho. Então o serviço,
o diálogo, o anúncio do Reino e o testemunho de
comunhão estarão iluminados, abrindo novas pistas
de uma atividade verdadeiramente gratificante. Renovado clamor
do que a Igreja proclama no início de cada Quaresma: Convertei-vos
e crede no Evangelho”.
Evangelizar é, de fato, mostrar a vereda da perfeição
requerida por Jesus (Mt 5,48), mas sem querer enquadrar o outro
nos próprios moldes mentais, percebendo, isto sim, empaticamente
a realidade alheia. Dentro destas reflexões não
se pode esquecer a opção preferencial pelos pobres,
pelos marginalizados, tudo fazendo para os tirar de sua condição
deprimente.
É deste modo que o povo de Deus pode caminhar junto na
construção de uma sociedade humana, justa, evangélica,
que seja sinal vivo da cidade futura para a qual todos caminhamos.
Com o Apóstolo Paulo todo batizado repete sempre: “Eu não
me envergonho do Evangelho, pois é uma virtude divina para
todo o homem que crê” (Rm 1,16). Deste modo, o empenho em
cristianizar o mundo há de transformar o contexto atual
tão materializado, hedonista e apartado das verdades eternas.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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