Departamento Arquidiocesano de Comunicação da Arquidicoese de Mariana


 Histórico
 Organização
 Dom Luciano
 Tribunal Eclesiático
 Seminário
 Museu
 Catequese

 

Regiões
Arquidiocesanas

Saiba mais sobre a região centro!Centro
Saiba mais sobre a região leste!Leste
Saiba mais sobre a região norte! Norte
Saiba mais sobre a região oeste! Oeste
Saiba mais sobre a região sul! Sul

Mande notícias
Clique aqui. . .



O PRECEITO DO AMOR

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*


     
Nunca se reflete demais sobre o magno mandamento de Cristo: “Amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34). Na sua sabedoria infinita o Verbo Encarnado de Deus ensinou a metafísica da caridade a partir do amor humano. Se é verdade que a esperança cristã opera um restabelecimento ontológico da existência em lhe fornecendo a significação profunda através da fé, a caridade é a vida propriamente metafísica na qual o amor humano e o amor divino se encontram em Jesus Cristo.
      A segunda Pessoa da Santíssima Trindade, porém, se encarnando no seio da Virgem Maria veio acentuar a alteridade do autêntico amor que se manifesta como ágape, ou seja, como dom de si que é a manifestação e a integração última de toda verdadeira dileção. Aí a razão pela qual a ordem “ amai-vos uns aos outros” tem um fundamento filosófico e teológico profundos que não podem ser olvidados.
      Cada vez que o homem, age uma pessoa é objeto de sua ação e não pode ela ser tratada como um meio, um instrumento, mas como um fim. Amar no sentido que Jesus empregou o vocábulo se opõe a usar, que consiste numa deturpação do amor. O referencial da dileção do batizado, porém, deve ser a Cruz que irradiou a lei da doação pessoal a partir do sacrifício por toda a humanidade numa prova definitiva de dileção, conforme atestou o próprio Redentor: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos" (Jo 15,13). Sua morte no Calvário lançou uma mensagem de amor universal.
      O dom de si tem um aspecto psicológico e metafísico. Amar significa sair de si para ir ao encontro do outro, quando o Eu se volta para o Tu e se torna Nós num encontro que deve ser sempre fonte de paz, harmonia, disponibilidade total. Entretanto, uma questão se impõe: “Qual é o significado ontológico do dom de si mesmo? Sair de si representa um esquecimento de Si mesmo. Eis aí o aspecto psicológico do amor. Esquecer-se pelo outro, não pensar em si, estar a serviço, colocar o outro em primeiro lugar.
      A faceta ontológica, entretanto, oferecida por Jesus significa que esta perda da vida a favor do outro no qual se vê Sua figura divina é aparente, porque ele oferece em recompensa uma vida com dimensões muito maiores que é a sua própria vida divina. Suas palavras não deixam margem a dúvidas: "Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á" (Mc 8,35). Portanto, tudo que se sacrifica para o bem do próximo no qual se contempla o próprio Filho de Deus tem um valor imenso.
      Tal maneira de considerar o amor abre espaço para atitudes maravilhosas que ultrapassam a delicadeza, os bons modos, a maneira de lidar com os outros, pois impregna tudo que se faz, uma vez que em tudo sempre se está a serviço dos outros, mas por vezes falta a visão clara do alcance desta atividade. Tudo feito por amor e em função do amor. Este amor ágape acaba sendo o encontro de Deus com o homem e este com o Ser Supremo através dos outros seres humanos, mas tudo na ótica do mistério do Verbo Encarnado.
      Foi o que aconteceu com o São Paulo: "Deus me é testemunha da ternura que vos consagro a todos, pelo entranhado amor de Jesus Cristo!"(Fl 1,8). Por isto aconselhou: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei" (Rm 13,8). É isto que causava pasmo aos pagãos que diziam no início do cristianismo a respeito dos cristãos: “Vejam como eles se amam”. Nossos antepassados na fé captaram bem seu recado: “Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos" (Fl 2,2). Assim somente, é que se cumprirá em plenitude a ordem do Mestre divino: “Amai-vos uns aos outros”!

                                                          * Professor no Seminário de Mariana - MG

<---- Volta a página principal ----->


Volta a página
<- Principal ->

Veja
os artigos
anteriores