A FUGA DO MAL
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A Bíblia, em inúmeras passagens,
alerta sobre a fuga do mal, sendo célebre a advertência
do Livro do Eclesiástico: “Quem ama o perigo nele perecerá”
(Ecl 3,25). Cristo desceu a detalhes e, na verdade, com palavras
veementes como estas: “Se tua mão te leva a pecar, corta-a!
É melhor entrar na vida sem uma das mãos do que,
tendo as duas ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga”
(Mc 9,43). Num contexto hedonístico como o de hoje tais
diretrizes deveriam calar fundo no espírito dos que desejam
salvar sua alma, pois se multiplicam as ocasiões de pecado
e o laxismo ético leva às maiores aberrações.
Por força dos programas imorais televisivos, de artigos
que afrontam a moral evangélica em livros, jornais e revistas,
pela maldade que campeia por toda parte, as consciências
vão ficando poluídas, os corações
maculados.
Procuram-se explicações para
justificar condutas inteiramente contrárias aos dez mandamentos
da Lei do Senhor. O Filho de Deus, aliás, acrescentou:
“É melhor entrar no reino de Deus com um olho só
do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, onde o verme deles
não morre, e o fogo não se apaga”. Sites pornográficos
na internet têm feito um mal devastador, sobretudo para
os adolescentes que se vêem induzidos a práticassexuais
que vão às raias da mais lamentável tara,
horrípila degeneração, animalesca depravação.
Um sem número de vozes iluminadas têm clamado por
um código de ética, apresentando juízos retos
de apreciação referentes à conduta humana
suscetível de qualificação do ponto de vista
do bem e do mal.
A libertinagem, infelizmente, impera e a dissolução
dos costumes, mormente, atinentes à vida familiar vão
levando de roldão inúmeros para aquela condenação
eterna a que Jesus se referiu. Pior ainda quando pessoas que se
entregam aos vícios mais desnaturados e ainda têm
coragem de receber a Comunhão como se fossem anjos de Deus!
Nunca é demais insistir que o Ato Penitencial, no início
da Missa, não apaga pecados mortais, como alguns espíritos
desavisados têm propalado, aumentando ainda mais os sacrilégios.
Por tudo isto, cumpre se firme o princípio de que sem a
fé, infalivelmente, o cristão resvala para a noite
tenebrosa do pecado.
Este é o maior mal que pode ocorrer
para o ser racional. É a trágica aventura daquele
que se torna incapaz de vencer a si mesmo e às invectivas
do Maligno. Infeliz daquele que, imerso na treva, não se
inquieta mais. Com efeito, o remorso ou a inquietação
da consciência, são um apelo divino para a regeneração
do pecador. Pecar é estabelecer uma ruptura com a verdadeira
vida. O poeta bem se expressou quando asseverou que “mortos não
são aqueles que jazem na tumba fria; mortos são
aqueles que têm morta a alma e vivem todavia”! A Bíblia
ao narrar a queda edênica mostrou as conseqüências
funestíssimas do pecado (Gên 3,1-6). Causou uma catástrofe
para toda a humanidade. O que não se pode esquecer é
que o pecado provoca rupturas.
Em primeiro lugar no próprio ser humano,
uma vez que introduz uma desordem interior. Esta é resultado
da ruptura com Deus (Gên 3,10). A intimidade de filhos para
com o Pai se desfaz e a desilusão tende a ser afogada em
novas faltas ou no desvario das drogas, da bebida ou outros crimes.
Segue-se a ruptura com o mundo em que se vive. A falta de sensibilidade
espiritual conduz à agressão à natureza,
ao meio ambiente em geral, à agitação social.
Ruptura ainda com a felicidade perene da eternidade, como Cristo
deixou bem claro. As rotas que conduzem ao Ser Supremo ficam obstruídas
(Gên 3,24)..A marcha macabra da morte e do pecado prossegue
através dos tempos causando transtornos, turbulências
e é uma situação, de fato, agravada neste
início de milênio.
O homem de hoje se mostra ainda mais orgulhoso
e, petulantemente, quer enfrentar o Criador, se julgando mais
sábio do que Ele ao desprezar o Decálogo, que é
o único roteiro que leva à verdadeira felicidade.
Deste modo, se multiplicam as ocasiões de pecado. O cristão
verdadeiro, porém, espera no seu Redentor que pôde
afirmar : «Eu venci o mundo » !(Jo 16,33) Deste modo
não desanima e emprega sempre as « armas da luz »
de que fala o Apóstolo Paulo (Rm 13,12). Este aconselha
: «Andemos dignamente como convém em pleno dia, não
em bacanais e comezainas, nem em lascívias e em impudicícias,
nem em contendas e no ciúme. Mas revesti-vos do Senhor
Nosso, Jesus Cristo, e não queiras afagar a carne, satisfazendo-lhes
as cupiedezes. (Idem 13-14). Para isto é preciso a prece,
o jejum e a penitência para o triunfo nesta pugna constante
contra o mal.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
<----
Volta a página principal ----->