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A FAMÍLIA DE NAZARÉ

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*


     
A Família de Nazaré é o exemplar para todas as famílias cristãs. A família é a célula vital da sociedade. Longe de se fechar em si mesma, ela se abre para as outras famílias e toda a sociedade. Através dos séculos Jesus, o Salvador; José, o Patrono da Igreja; Maria, a Rainha do mundo continuam exercendo este papel magnífico. A missão social e política de toda família, o que é inerente à sua vocação mesma, consiste no testemunho da beleza do lar, no devotamento generoso e voltado para os problemas do mundo no qual se insere.
      Admirável tudo que se passou na casa de Nazaré, dado que Maria e José estavam cônscios da revolução que Jesus faria na História da humanidade e, deste modo, dele cuidavam com sumo zelo em vistas desta tarefa sublime. Se toda família deve ser um sinal de unidade para a humanidade e exercer um papel profético, nenhuma outra cumpriu melhor do que aquela que foi denominada a Sagrada Família, exatamente por isto.
      Denuncia através dos tempos toda desunião e tudo quanto conspurca o verdadeiro amor. A vida de dois esposos cristãos é um combate, luta de duas almas corajosas, unidas uma à outra, para levar de vencida as provações e evitar os ataques malignos que ameaçam a estabilidade do lar. São Paulo advertiu que as aflições e as dificuldades sempre se fazem presentes (1 Cor 7,28), mas com a graça divina tudo é superado. Neste início de milênio a família sofre numerosas pressões sobretudo dos meios de comunicação social que objetivam destruir ou deformar o amor conjugal. Nunca, como hoje, os preceitos bíblicos precisam nortear os casais.
      A família deve, então, ser uma escola de santidade. É nela que os filhos deparam os exemplos que os seguirão a vida toda. A prece é essencial para que tal fim seja plenamente alcançado. Os Papas sempre apontaram a Família de Nazaré como o modelo das virtudes domésticas. Salientaram o afeto puro, santo e fiel, a afeição que levava aos maiores sacrifícios.
      Admirável a submissão de Jesus, o Filho de Deus, a José e a Maria, os quais, por sua vez, acatavam as ordens divinas com grande prontidão, fosse para fugir para o Egito, fosse para ir a Jerusalém a visitar o Templo, fosse na humildade da carpintaria de Nazaré. Viviam na pobreza, mas satisfeitos com o que tinham. Adite-se que os pais têm uma grave obrigação de velar com todos os seus esforços pela educação cristã e moral, física e cívica de seus filhos. Este problema, evidentemente, Maria e José não tiveram, pois Jesus era a santidade e sabedoria perfeitas, mas é um alerta, pois os filhos devem se parecer com Jesus, imitando suas virtudes.
      Para isto suas consciências precisam ser dirigidas para o esforço enérgico e perseverante. O temor de Deus, que é o início da sabedoria é necessário seja inoculado pelo pai e pela mãe naqueles pelos quais devem sempre zelar. Isto supõe o amor à Verdade, devendo os filhos admirar sempre a sinceridade de seus pais. Estes com discernimento hão de corrigir as falhas e defeitos, sempre com muita paciência, sem irritação e, nunca, num momento de exasperação. É obrigação dos pais ajudar os filhos a salvar suas almas num contexto no qual tudo conspira contra uma existência pura, longe dos vícios, das drogas, das impudicícias.
      A imprensa, os livros, as fotografias, as reproduções artísticas de toda a espécie, os filmes, as novelas e, agora, também os sites pornográficos na internet levam a todo tipo de pecado. Não adianta os pais simplesmente proibir, mas orientar e, eles mesmos, não serem objeto de escândalo.Então, sim, o lar será penetrado pelo bom odor de Cristo e seus membros expandirão por toda parte o perfume das virtudes seja onde estiverem.
      Os bons costumes devem ser irradiados exatamente dos lares cristãos, envolvendo toda a sociedade. Além disto, como insistia João Paulo II, que se espalhe a cultura da vida. Combate corajoso contra o aborto, as imprudências no trânsito. Tudo isto será fruto de uma pedagogia paterna e materna que aponta as rotas venturosas do bem-estar e do estar-bem cada um consigo mesmo.

* Professor no Seminário de Mariana - MG

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