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SAUDADES DE DOM LUCIANO

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*


    Um mês do falecimento do notável Antístite marianense D. Luciano Mendes de Almeida, dia 24 de setembro, e permanece nos corações o vazio da ausência de uma presença nesta terra daquele que a todos enchia de esperanças, otimismo, coragem para enfrentar a vida. É certo de que todos que o conheceram percebem sua influição junto de Deus, lá na Casa do Pai.
    Tantas preces feitas, pedindo sua intercessão, têm sido atendidas numa prova de que ele já está gozando os merecimentos de sua vida exemplar e apostólica. Os inúmeros testemunhos sobre este Arcebispo admirável continuam palpitando na Imprensa falada e escrita.
    Cada texto a vislumbrar facetas de uma existência toda voltada para o amor ao próximo com uma disponibilidade franciscana, com uma energia inaciana, com uma dileção vicentina. Mesmo aqueles que se socorreram poucas vezes junto da bondade de Dom Luciano sabiam que, sempre que necessário fosse, teriam nele um confidente amigo, um orientador prudente, um pai amoroso.
    Como é bom só se ouvir falar bem deste evangelizador inigualável! É que todas as ações deste Epíscopo resultavam de um boníssimo caráter, de uma alma inteiramente imersa em Deus. Brilhou na História da Igreja com uma vitalidade prestimosa e uma abnegação evangélica, unindo a tanta virtude e tamanha fortaleza uma doçura e encanto que canonizaram uma personalidade inconfundível.
O mérito de D. Luciano há de crescer sempre e rutilar cada vez mais porque o seu ardor pelo bem, a consistência de sua têmpera, a fibra do seu espírito tiveram uma energia inexcedível, absolutamente maravilhosa. Tudo isto, porque se no homem o talento é muito, o coração é tudo, e ele tinha um coração com as dimensões do coração de Jesus Cristo. Por isto a bondade, o dinamismo a luta pela justiça social caracterizaram aquele que honrou o Áureo Trono Episcopal marianense e dourou as páginas dos anais eclesiásticos para todo o sempre.
    Diante de fragilidades e desvios, perante erros e desmandos, ao repreender faltas, a sua alma generosa tinha sempre palavras suaves, amorosas, compreensivas. Ele antepunha sempre à firmeza de um rigor inexorável as condolências de uma dileção santa. Rigoroso só consigo mesmo, mas sempre condescendente com os outros, embora firme no que dizia respeito à ordem e à disciplina, à observância total das diretrizes evangélicas.
    Seguro de si e repleto de preocupações com o próximo, exercitando o seu ministério magnificentemente, ele apoiava todos os movimentos sociais libertários, estando persistentemente ao lado dos marginalizados.Magnânimo no desempenho do seu cargo episcopal, era indulgentíssmo e sabia conciliar a máxima benevolência com a mais inflexível autoridade.
    Bom por natureza e tolerante por convicção, envolvia a todos no temperado e delicioso ambiente de uma cordialidade sem limites, e dele ninguém fugia, mas gostava de estar com ele, de conversar com ele e dele receber sábias diretrizes. Ele sabia como poucos que nem tudo que é humano é falso, nem tudo que é novo é mau. Extraia da ciência o que ela tem de bom, recolhia da sociedade o que ela tem de útil. Versátil, abordava com rara proficiência os mais variados assuntos e seus textos guiaram o povo brasileiro durante estes períodos conturbados da República.
    Lá onde sua presença era necessária, não havia distância que o detinha, e ele soube se aproveitar ao máximo do progresso técnico-científico de hoje e se fazia presente na imprensa. Através de seu celular, estava inclusive sempre atento a dar pelo telefone uma mensagem a algum espírito atormentado que a ele se dirigia e que precisava de uma pronta palavra de luz e ânimo.
    A simplicidade e a modéstia marcaram sua existência e sua única ambição era a felicidade de todos com quem se encontrava. Pastor desvelado, marcou definitivamente a gloriosa história da Arquidiocese de Mariana, e por onde passou deixou sinais visíveis do verdadeiro epígono do Redentor.Tinha, realmente, a grandeza escultural de um perfeito dirigente espiritual e a consumada prudência dos maiores líderes.
    Acessível a todos, afável e sempre igual para com todos, era comovedora a ação deste varão apostólico,exercendo desartificiosamente, lisamente os seus deveres evangelizadores. Personalidade sincera e generosa, neste apóstolo adornado de todos os mais finos atributos e prendas, tudo nele falava dos esplendores de uma espiritualidade intensa.


* Professor no Seminário de Mariana - MG

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