JESUS E BARTIMEU
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O encontro de Jesus com o
cego Bartimeu (Mc 10,46-52) tem peculiaridades interessantes,
uma vez que Ele ia para Jerusalém e era a última
semana de sua vida ou o ponto culminante de sua obra. Esta decidiria
para sempre o destino do mundo e o final do grande conflito contra
o mal. Não obstante tantas preocupações,
Cristo, em Jericó, não deixou de vir ao encontro
de um pobre cego e o cura.
O Redentor viveu em plenitude
o que solenemente declarara: “Eu sou a luz do mundo: quem me segue
não andará nas trevas, mas terá a luz da
vida” (Jo 8, 12). Tal o significado do milagre que faz a favor
do filho de Timeu. A Paulo, duplamente tomado pela cegueira no
caminho de Damasco, suas palavras foram manifestamente claras,
pois esta seria a missão do Apóstolo abrir os olhos
das nações, “ para que se convertam das trevas à
luz, e do poder de satanás a Deus” (Atos 26,18). Esta missão
foi realizada, brilhantemente, por São Paulo que asseverou
aos Efésios: “Éreis trevas, mas agora sois luz no
Senhor. Procedei como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste
em toda sorte de bondade, de justiça e de verdade” (Ef
5,8). Explicou aos colossenses que Deus “nos subtraiu do domínio
das trevas e nos transferiu para o reino de seu Filho muito amado
(Cl 1,13).
Daí o conselho aos
tessalonisenses: “Vós todos sois já filhos da luz
e filhos do dia. Não, nós não somos da noite,
nem das trevas, não durmamos, portanto, como os outros,
mas vigiemos e pratiquemos a temperança” (1 Ts 5,5). O
contraste entre Jesus. que é luz. e o Maligno. que é
escuridão. marcou também Pedro que assim se expressou
na sua 1a Carta:“Vós, porém, sois estirpe eleita,
sacerdócio régio, gente santa, povo trazido à
salvação, para tornardes conhecidos os prodígios
daquele que vos chamou das trevas para a luz admirável!
(1 Pd 2,9). São João também percebeu ao vivo
esta verdade e advertiu: “Se dissermos que estamos em comunhão
com ele e, não obstante caminhamos nas trevas, mentimos
e não praticamos a verdade. Mas se andarmos na luz, como
ele está na luz, estamos em comunhão mútua
e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho purifica-nos de todo o pecado”
(1 Jo 1. 6-7).
É que as trevas cegam
os olhos dos epígonos do Filho de Deus e estes então
tropeçam, titubeiam, e caem ao caminhar e não sabem
para onde vão (1 Jo 2,11). Junto de Cristo, porém,
o ser racional se envolve na luz. As trevas representam bem a
ignorância espiritual, isto é, o pecado, o ódio,
os preconceitos, a inveja, a avareza, a cobiça. Os que
andam na obscuridade vivem sem o conhecimento do Ser Supremo,
sem capar a realidade do que é o amor divino para com a
humanidade. Nada como viver a experiência do encontro com
Aquele que é a “luz verdadeira que ilumina todo homem que
vem a este mundo” (Jo 1,9). Cumpre não cair nunca na letargia
espiritual e despertar os que jazem no torpor que impede imergir
na luz divina. A importância da cura da cegueira espiritual
está no impacto positivo que a luz divina exerce no ser
racional sob todos os aspectos. Inúmeras são as
doenças que têm como causa exatamente o problema
espiritual. A chave da cura
de muitas moléstias que afligem o homem está na
relação interior com o Médico divino, Jesus
Cristo. que afasta as perturbações do espírito
afligido pela depressão, pelas amarguras, pelas tristezas
que entenebrecem a existência humana. Sua promessa não
falha nunca: “Vinde a mim todos os que estais afadigados e sobrecarregados
e eu vos aliviarei”( Mt, 11,18). A harmonia com a vontade de Deus
é o primeiro passo para a segurança psicossomática.
Afastar as feridas emocionais que cegam a mente é a primeira
etapa para que outros males sejam debelados e para fazer que o
cristão seja menos vulnerável a tudo que o possa
perturbar.
É preciso abrir as
janelas do coração para que a luminosidade celeste
tudo ilumine. Ante de tudo cumpre, de fato, uma fé profunda
no poder de Jesus. Foi o que ele disse ao cego antes de o curar:
“ Vai a tua fé te salvou”. Marcos logo registrou: “Logo
recuperou a vista e o seguia na viagem”. Uma vez obtida a cura
espiritual é preciso não mais abandonar a Cristo
e, a seu exemplo, levar a salvação aos irmãos,
seguindo sempre o meigo Rabi da Galiléia. É necessário
transmitir aos outros a coragem de abandonar as trevas das atitudes
defensivas prejudiciais: fobias, angústias, conflitos,
mostrando que Jesus é o único refúgio e que
quem está com Ele não anda nunca nas trevas.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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