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O RETORNO GLORIOSO DE CRISTO

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*


      
Denomina-se escatologia o ensinamento concernente ao término da História e do itinerário do ser racional neste mundo. No Novo Testamento fica patente que Cristo conduz a humanidade à sua consumação.
       O Redentor asseverou que “então vereis o Filho do homem vindo nas nuvens com grande poder e glória” (Mc 23,26). O sermão escatológico de Jesus se encontra nos capítulos 24 de Mateus, 13 de Marcos e em Lucas capitulo 21, 5-36. Para evitar especulações inúteis foram claras as palavras do Mestre divino: “Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13,32). Ofereceu, porém, uma diretriz segura, válida para seus epígonos de todas as eras “Estai alerta! Vigiai e orai, porque não sabeis quando será o tempo”(Mc 13,33).
       Os intérpretes da Escritura sempre ensinaram que a característica marcante deste aspecto escatológico é a esperança. Trata-se de uma expectativa firmada na misericórdia de um Deus que é fiel nas suas promessas de salvação por meio do Salvador que veio para que “todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Jesus mostrou, enfaticamente, que o Ser Supremo “não é Deus de mortos, mas de vivos” (Mc 12,27).
       É preciso, porém, viver responsavelmente de acordo com os Mandamentos e a Doutrina pregada por Cristo. Isto se dá dentro da Igreja que o espaço estabelecido pelo seu Fundador no qual se encontram todos os meios para um happy end – um término feliz no encontro com Aquele que virá julgar os vivos e os mortos.
       A vida eterna, de fato, já é possuída atualmente: quem crê em Cristo não será julgado, mas já passou da morte para a vida (Jo 5,24; 6,40.47;8,51). O Onipotente exige que todos trabalhem para aperfeiçoar, dia a dia, a sociedade e a dar um acabamento perfeito à obra imensa da criação. Isto significa fazer que todos os homens tenham condições de trabalho que respeitem sua dignidade. Na medida em que o batizado se esforça por melhorar sua própria condição de vida e age com espírito de solidariedade e serviço as comunidades se aprimoram.
       A reflexão escatológica, portanto, não inspira passividade ao cristão, que vive na espera do retorno do Rei imortal dos séculos. Pelo contrário exige que ele empunhe, corajosamente, a chave aurífera que abre os páramos de uma autêntica concepção da importância do ser pensante dentro do projeto do Criador. Esforço existencial que dá sentido ao viver, sabedor cada um de suas possibilidades de auto-realização e de construção de um mundo segundo o Evangelho.
       Luta persistente na trajetória estabelecida pelo sábio Rabi da Galiléia: “Sede perfeitos como o Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48) e na realização do programa elaborado por Ele, dando de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, acolhendo os marginalizados, visitando os enfermos e os encarcerados (Mt 25,35-36).
       Em síntese, trilhando os caminhos da santidade e do amor fraterno, num combate sem tréguas às injustiça sociais. É a fé exercitada nesta terra em atos concretos modelados na sinceridade mais absoluta. A religião de Jesus oferece, de fato, não apenas uma salvação pessoal, porque esta se acha condicionada à colaboração da redenção de todos os que pertencem ao Corpo Místico de Cristo. Todos os acontecimentos que envolvem a vida de cada um são eventos histórico-salvíficos nas estradas da história particular e universal.
       Daí o envolvimento de cada um e de todos na propagação do Reino de Deus até o seu coroamento escatológico, ocasião em que o ser racional será fixado em seu estado definitivo. A volta gloriosa de Jesus Cristo no final dos tempos, para estar presente ao Juízo Final, ou seja a parusia, chegará ao apogeu no agrupamento dos eleitos, instante solene da ressurreição dos mortos, e haverá “um novo céu e uma nova terra” (Is 65,17) e nesta reinará perenemente a justiça. Cumpre, portanto, aguardar o retorno de Jesus com perseverança, resistindo bravamente ao mal!


* Professor no Seminário de Mariana - MG

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