A MENSAGEM DE JOÃO BATISTA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Na
trajetória até o Presépio atualíssimos
o testemunho e a mensagem do Precursor (Lc 3,10-18). Cumpre ressaltar,
em primeiro lugar, que foi no deserto que Ele ouviu, meditou e
viveu a Palavra de Deus para, em seguida, doutrinar as multidões.
Estas que lhe faziam a clássica pergunta sempre dirigida
a todos os grandes Mestres: “Que havemos de fazer?” Profeta e
arauto de Deus, antes de tudo e sobretudo, ele chama à
conversão e a produzir os frutos que dela emanam.
É a fundamental atitude para se chegar até o Redentor,
cujo nascimento os cristãos vão comemorar. Este
processo de convertimento só é possível para
quem se destaca do bulício exterior e vai ao deserto interior
de sua consciência para reavaliar o posicionamento perante
o Ser Supremo. Lá no íntimo do coração
a intimidade de Deus se torna interioridade humana.
O desejo da autêntica felicidade na posse do Bem Absoluto
borbulha e leva a uma revisão existencial. Esta conduz
à purificação, ao combate a todos os vícios,
robustecendo a vontade com a graça celestial. É
a mente humana sintonizada com a mente divina, apartando toda
artificialidade oferecida pelo mundo, laçando por terra
os castelos das ilusões fatídicas.
É o tempo da verdade sobre si mesmo e o Criador de tudo.
Este apelo ao deserto é fundamental para se entender as
diretrizes joaninas. A todos ele determina: “Se tendes duas túnicas,
reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos
faça a mesma coisa”. Trata-se do combate ao egoísmo
e do conselho salutar da partilha fraterna. Alerta, outrossim,
contra a corrupção, a extorsão, a violência,
o falso testemunho, a ambição. Adite-se que no tempo
de João Batista o povo estava na expectativa da chegada
do Messias e se indagam se não seria ele o enviado do Pai.
João refuta com vigor e humildade esta pretensão
dos que o admiravam . Ele, num gesto de suma humildade, declara
que não era digno de desatar as correias das sandálias
do Cordeiro de Deus.
Não ilude o povo e mostra que a missão messiânica
seria de salvação, mas também de julgamento,
recolhendo o Messias o trigo no seu celeiro; a palha, porém,
queimando-a num fogo inextinguível. É preciso, de
fato, ir até Jesus longe de toda embófia e na mais
total sinceridade. Não bastam os aplausos festivos ao Menino
Deus, mas é imprescindível a aceitação
completa de sua Pessoa, que exige renúncia e fuga do mal
moral. João Batista será fiel até o martírio,
ofertando o dom de sua vida, ratificando o que pregava. Início
de milênio, qual a atualidade de tudo que ele anunciou?
É complicado para o homem contemporâneo viver a interioridade
que se contempla no Batista.
O barulho de uma sociedade de consumo arrasta o ser pensante para
fora de si mesmo. É necessário, porém, parar
e se interrogar sobre o magno sentido da Encarnação
do Verbo de Deus. Deu-se uma maravilhosa katábasis, o Infinito
desceu até o finito, o Necessário ao contingente
e agora o homem pode, numa sublime anábasis, ascender até
o Todo-Poderoso. João Batista vem lembrar que todos os
seres racionais são vocacionados, chamados por Deus para
uma ventura sem fim, obtida pela salvação daquele
que se imolaria por toda a humanidade. Grande esperança,
terrível responsabilidade, pois tudo dependerá da
correspondência a tamanho benefício, ocasionado por
um amor eterno.
As dádivas de Deus são resultado de uma misericórdia
sem limites, mas supõem o viver segundo a justiça,
praticando os Mandamentos, roteiros da autêntica beatitude.
Como João Batista devemos ser epígonos de Jesus,
seguindo-O e O levando aos outros, pois todo batizado deve ser
um denodado apóstolo, proclamando, por toda parte, a Boa
Nova. Esta representa a instauração da concórdia,
dado que tal foi o augúrio dos anjos: “Glória a
Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por
Ele amados”!.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG
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