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O ÓBOLO DA VIÚVA

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*


      
O episódio da humilde oferta de uma viúva para o culto divino (Mc 12, 41-44) oferece pontos de proveitosa reflexão. Diz o evangelista que Jesus, sentando-se, defronte do erário do templo, observava como as pessoas lá depositavam as moedas. O Ser Supremo perscruta sempre o íntimo do coração. Os ricos vinham para fazer suas ofertas, afim de serem admirados pelos seus amigos que exaltariam sua generosidade.
      Na verdade, porém, estavam oferecendo o supérfluo que, em nada lhes afetaria suas posses, nem os faria mais perfeitos diante do Criador. Uma pobre mulher, que vivia na viuvez, oferece apenas duas moedas e recebe o elogio de Jesus que atinou com o sacrifício que tal esmola representava para aquela oferente. Deus muito aprecia aquilo que custa mais e Lhe é ofertado com humildade e simplicidade. Cumpre que toda contribuição para as obras pastorais da Igreja parta de um coração que, antes, já se doou a Deus. Em nossos dias a pedagogia do dízimo tem contribuído para que tal objetivo seja alcançado, dado que é cada vez maior a conscientização dos fiéis sobre sua participação nas mais diversas pastorais, de acordo com as possibilidades e o carisma de cada um.
       A oferta material se torna um lembrete desta responsabilidade que advém do batismo que insere no múnus sacerdotal, profético e régio de Cristo e provoca admiráveis reações vivenciais. Com efeito, é um agradecimento a Deus doador de todos os bens, inclusive da saúde para o trabalho, e gera o louvável desejo de ajudar na evangelização. É colocar um bem material a serviço de benefícios espirituais.
       Torna o coração aberto à generosidade, impedindo tudo querer para si. Trata-se da vitória do ser mais cristão sobre o ter mais. Abre-se o caminho para a solidariedade e a confiança na proteção celeste que nunca falta a quem contribui para a glória de Deus, que nunca deixa faltar nada a quem nele espera. Entretanto, mais do que a doação material, é preciso a entrega total de cada um a Cristo, através da santidade de vida, tendo um coração reto como o da pobre viúva. Isto se torna possível, em primeiro lugar pela aproximação contínua de Deus, a cada hora, pela prece.
       Tal o conselho de São Paulo aos filipenses: “Não vos inquieteis com coisa alguma, mas, que em tudo, pela oração e pela súplica, acompanhada de ação de graças, se tornem presentes a Deus os vossos pedidos” (Fp 4,6-7). Como ensinava Santo Agostinho, somos mendigos do Onipotente. Além disto, é preciso sempre meditar a Palavra que está na Bíblia e a doutrina é de São Pedro: “Como crianças recém-nascidas, sede ávidos do genuíno leite espiritual, para crescerdes com ele na salvação, se já saboreastes quão bom é o Senhor! (1 Pd 22,2-4).
       Trata-se da doutrina bíblica que nutre a alma e a faz progredir, dia por dia, nas virtudes. Adite-se ser preciso invocar o nome do Senhor Jesus logo que vem a tentação, como está na Carta aos Hebreus: “Com efeito, porque ele mesmo, submetido à provação, padeceu, está em condições de prestar auxílio aos que são submetidos à provação” (Hb 2,1). Se a fraqueza humana leva ao pecado grave, logo procurar o Sacramento da Penitência, fazendo uma boa Confissão, pois diz São João: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é tão fiel e justo, que nos perdoa os pecados e nos purifica de toda a iniqüidade” (1 Jo 1,9). Tal foi a promessa de Cristo aos Apóstolos e seus sucessores: “Recebei o Espírito santo; àqueles quem perdoardes os pecados ficar-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ficar-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22).
       Nunca é demais ser lembrado que não se pode comungar em pecado mortal, o que seria um terrível sacrilégio. Para que se tenha um coração agradável a Deus, como o da pobre viúva, cumpre ainda nunca temer os ataques do Diabo porque Cristo está com quem o ama: “O Senhor é meu auxilio, não terei temores” (Hb 13,5). Finalmente, nvolver-se na caridade, pois assim se ordenou Cristo: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei!” (Jo 15,12) Recordemos o detalhe assinalado por São Marcos: Jesus se assentou e observava as pessoas que entravam no Templo.
       Ele está sempre nos olhando e a melhor das vidas é a que temos com Ele, pois Ele é o caminho que conduz para o Pai e nos enche de paz, de alegria, de amor e de bênçãos. Saibamos valorizar tudo que fazemos com a reta intenção. Esta é o farol que ilumina as ações meritórias do cristão, dando sentido, intensidade e fervor a tudo que se faz.


* Professor no Seminário de Mariana - MG

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