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MENSAGENS DA EPIFANIA

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*


     
A luz que emana do Presépio continua projetando sobre o ciclo gozoso da Lirtugia natalina seus raios fulgentes. É tempo sagrado do Natal que se prolonga, o regozijo dos Pastores segue estremecendo as almas cristãs e a Igreja não almeja não se distanciar da gruta prodigiosa de Belém. Sua atitude é a de Maria, a Mãe de Jesus, maneira de ser inerente à maternidade. Lucas, que era famoso médico, observou com perspicácia no seu Evangelho: “Maria contemplava todas estas coisa e as revolvia em seu coração” (Lc 2,19).De plano a vemos solícita para prodigalizar os primeiros cuidados ao recém nascido. Depois, a vemos logo silenciosa ante as maravilhas que sucedem em seu derredor.
      Com rara ternura, envolveu o Menino Deus em panos e o reclinou no Presépio (Lc 2,7). Prosseguiu com seus cuidados desvelados tanto que, quando Reis vindo de longe chegam até Jesus, Mateus registrou o fato numa das mais significativas passagens da Bíblia: “E tendo entrado na casa, viram o Menino com Maria sua mãe e, prostrando-se o adoraram”. Mais tarde São Bernardo cunharia o slogan: “A Jesus por Maria”.
      É a sábia e bíblica postura dos católicos de todos os tempos. O episódio da adoração dos magos a Jesus há pormenores profundamente instrutivos, tanto é verdade que Deus se manifesta também por sinais, signos e símbolos, tendo, além disto, enviado ao mundo a Palavra increada: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” ( Jo 1,14). Os reis, vindo do Oriente, foram guiados por uma estrela. Souberam entender o recado celestial, o sinal do príncipe-salvador, esperado pelos judeus. Na existência de cada ser humano surgem estrelas, mas é preciso perceber e interpretar as inspirações divinas, que são outros tantos astros luminosos apontando uma rota segura.
      São eles o ideal, o remorso após más ações, o conselho de pais e amigos, até mesmo um instante de infortúnio que leva a uma revisão de vida, o aplauso da consciência depois de atos de compreensão e perdão. Cumpre imitar a perseverança dos Magos que, não obstante o desaparecimento da estrela, continuaram pesquisando sobre o Messias. Quantos pela vida afora, basta surgir o menor problema e logo desanimam, quando não vão afogar na bebida, na droga sua frustração, ao invés de a superar.
      A persistência daqueles sábios foi coroada com reaparecimento do astro que os dirigira até então. Alegraram-se e chegaram até onde estava o Esperado das Nações. Oferecem ouro, simbolizando a realeza do Menino e o amor que se lhe deve; incenso, mostrando que ele era Deus, merecendo todos os louvores; a mirra que servia para embalsamar os mortos já representava a morte cruenta do Redentor, um dia, lá no Gólgota e simboliza os sofrimentos de cada um na travessia por este exílio terreno. Obedientes em tudo aos estímulos celestiais, regressaram para sua região por outro caminho. Nunca se fixa demais a advertência da Escritura: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Ecl 3,25).
      É preciso evitar todas as ocasiões perigosas e deparar sempre veredas seguras contra os Herodes da vida, as insinuações demoníacas, enfim, contra tudo que pode macular a consciência. A visita dos Reis Magos a Jesus tem um sentido profundo, pois são vistos como “primícias das nações” com a conseqüente manifestação, epifania, do Messias como Senhor de todos os povos. Este aspecto é ressaltado com ênfase no Prefácio da Missa desta solenidade, mostrando que em Cristo, luz do mundo foi revelado a todas as nações o mistério da salvação e nele que apareceu em nossa em nossa carne mortal, o Criador nos renovou com a glória da imortalidade. Jesus se unia à sua igreja para purificá-la e santificá-la e sua missão seria sempre anunciar a Boa Nova a todos os povos, reunindo os filhos de Deus dispersos pelo mundo.

* Professor no Seminário de Mariana - MG

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